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PEQUENAS HISTÓRIAS SEM TESTEMUNHAS
PEQUENAS HISTÓRIAS SEM TESTEMUNHAS A condição humana do cotidiano QUANDO EU CRESCER... Ele tinha vinte e oito anos, mas ainda dizia “quando eu crescer” com uma naturalidade quase comovente. O nome dele era Rafael, embora poucos o chamassem assim. Entre os amigos — os mesmos desde o ensino médio — ele era apenas Rafa. E naquele pequeno universo que insistia em preservar, o tempo parecia não ter avançado. As conversas ainda giravam em torno de memes, jogos, planos vagos e promessas que nunca ultrapassavam a madrugada. Rafa morava no mesmo quarto desde os quinze. As paredes, ainda cobertas de pôsteres desbotados, guardavam uma espécie de resistência silenciosa contra o mundo lá fora. A cama desarrumada, o videogame ligado por horas, a pilha de roupas que nunca chegava ao armário — tudo conspirava para manter intacta uma adole...


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